Nunca vai ser suficiente para si, pois não?

Quando a voz crítica interior é mais forte do que a capacidade de reconhecer o próprio valor.

Há pessoas que vivem numa procura constante por fazer mais, ser melhores e alcançar novos objetivos. Trabalham, esforçam-se, dedicam-se e conquistam metas importantes. No entanto, em vez de sentirem satisfação, rapidamente surge um novo pensamento: "Podia ter feito melhor" Ou "Ainda não é suficiente".

Se esta voz lhe é familiar, saiba que não está sozinho.

Muitas vezes, o problema não está na falta de resultados, mas na dificuldade em reconhecê-los. Cada conquista é rapidamente desvalorizada, substituída por uma nova exigência ou por uma meta ainda mais distante. O momento de celebração dura pouco — ou nem chega a acontecer. Em vez disso, instala-se a sensação de que é preciso continuar a provar o próprio valor.

Este padrão está frequentemente associado a níveis elevados de autoexigência e perfeccionismo. A pessoa acredita que só merece reconhecimento quando faz mais, trabalha mais ou evita qualquer erro. Como consequência, vive num estado de esforço permanente, onde descansar pode ser interpretado como falta de empenho e falhar parece sinónimo de fracasso.

Na maioria das vezes, esta forma de funcionar não surge por acaso. As crenças que temos sobre nós próprios começam a formar-se muito cedo. Algumas pessoas cresceram a sentir que o afeto, a aprovação ou o reconhecimento estavam dependentes do desempenho. Outras aprenderam que errar não era uma opção ou que só seriam valorizadas se correspondessem às expectativas dos outros.

Com o tempo, estas mensagens deixam de vir do exterior e transformam-se numa voz interna extremamente crítica. Uma voz que raramente reconhece o esforço, que minimiza as conquistas e que está constantemente focada naquilo que ainda falta fazer.

O problema é que nenhuma conquista consegue preencher uma necessidade de validação que nasce de uma crença tão profunda. Quando a autoestima depende exclusivamente dos resultados, haverá sempre mais uma meta para alcançar e mais uma razão para sentir que ainda não chega.

Questionar esta voz crítica é um passo importante no processo de crescimento pessoal. Significa perguntar: "Estou realmente a avaliar-me de forma justa?" ou "Exigiria isto a alguém de quem gosto?". Muitas vezes, descobrimos que somos muito mais duros connosco do que com qualquer outra pessoa.

Desenvolver uma relação mais saudável consigo próprio implica aprender a reconhecer o esforço, aceitar que errar faz parte do crescimento e compreender que o valor pessoal não depende exclusivamente da produtividade ou do desempenho.

É possível continuar a evoluir sem viver numa constante insatisfação. É possível ter objetivos e, ao mesmo tempo, permitir-se descansar. É possível querer crescer sem acreditar que só será digno quando chegar a determinado lugar.

Porque o seu valor não começa quando atinge a próxima meta. O seu valor existe antes dela.

E talvez uma das aprendizagens mais importantes seja esta: não precisa de ser perfeito para ser suficiente. Pode continuar a crescer, a aprender e a melhorar, sem deixar de reconhecer que, neste momento, já merece respeito, cuidado e gentileza por parte da pessoa com quem convive todos os dias: você mesmo.

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